O que seu intestino tem a ver com o que você faz e, até, com quem se relaciona?

Como assim o nosso intestino pode influenciar no que a gente e faz e nos nossos relacionamentos? O fato é que 90% da serotonina é produzida no trato digestivo, o que indica que maior parte dessa substância é produzida no intestino.

Para quem não sabe, a serotonina é famosa por ser o hormônio da felicidade, e está relacionada com sensações como amor, prazer e até com a nossa sexualidade.

Parece até mentira, mas esse hormônio que nos traz tanta felicidade, bem-estar e prazer é “fabricado” no mesmo lugar que o nosso cocô. A serotonina é produzida a partir de células de enterocromafim, que tem o intestino como “casa”. Essa descoberta foi feita pela Universidade Caltech e publicada pela revista Cell no ano de 2015.

O estudo constatou uma grande quantidade do neurotransmissores no intestino, e os cientistas afirmam que são as bactérias da microbiota intestinal as responsáveis pela regulação da serotonina no nosso sangue, por onde ela passa para chegar ao cérebro.

Sendo assim, dependendo das condições da bactéria em nosso corpo, nós podemos ser influenciados. “Os metabólitos produzidos pelas bactérias do intestino conversam com o nosso corpo, inclusive com o sistema nervoso. Veja, não queremos dizer que literalmente elas controlam nosso pensamento, mas que podem afetar o comportamento.”, afirma Natalia Pasternak, pesquisadora do departamento de bacteriologia molecular do ICB-USP.

Mas como essa influência pode ocorrer?

A pesquisa investigou quais enzimas são responsáveis pela produção da serotonina no intestino de ratos, e eles perceberam que os camundongos testados que estavam livres de bactérias tinham problemas na regulagem da enzima mais importante. Depois que eles receberam a enzima, o nível de serotonina voltou ao normal.

Os outros roedores que foram tratados com antibióticos, quando apresentados ao remédio que mata as bactérias do corpo, o nível de serotonina caiu. O estudo acabo concluindo que essas bactérias do nosso intestino são responsáveis pela produção da enzima THP1, necessária para a produção da serotonina.

“A serotonina é um neurotransmissor que afeta nosso humor, apetite, atividade sexual, sono, regulação de temperatura, motilidade intestinal, ansiedade, depressão, sistema endócrino e até funções cardiovasculares, como produção de plaquetas. Ficou mais conhecida quando foi descoberta sua relação com doenças psiquiátricas como depressão e transtornos de ansiedade”, declarou Natalia Pasternak.

O texto assinado pelos cientistas do estudo dizia que sem tais bactérias no intestino de uma pessoa, a produção de serotonina cai, e assim podemos experimentar os efeitos da falta do hormônio.

Essas bactérias podem mesmo afetar nossas relações?

E quem diria que o amor é fruto do intestino e não do coração (risos)? Pode ser possível que uma pessoa se sinta atraída por outra que tenha as mesmas bactérias que vivem no seu organismo. Essa afirmação surgiu depois de um estudo feito com moscas pela Universidade de Harvard.

O estudo provou que, pelo menos nas moscas, a microbiota é algo determinante para o cruzamento sexual. Eles fizeram uma experiência onde diversas moscas da espécie drosophila melanogaster foram divididas em dois grupos, onde um era alimentado com amido e outro com maltose.

Logo após uma geração, eles perceberam que as moscas que comiam amido cruzavam com moscas que também comiam amido, o mesmo ocorreu com as moscas que comiam maltose. Depois disso se repetir por incríveis 37 gerações, foram aplicados antibióticos nas moscas, para exterminar as bactérias. Depois que isso aconteceu, a distinção entre os dois grupos de moscas chegou ao fim.

Fonte: Fatos desconhecidos

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