4 últimas cartas mais tocantes da Segunda Guerra Mundial

Às vezes, nós sabemos que o fim está chegando. Nessas situações, o que você diria às pessoas que ama? As suas últimas palavras seriam comuns ou incríveis, bem pensadas ou naturais? Elas teriam o mesmo valor se você não soubesse que estava lidando com o seu fim?

Em nossa história, a Segunda Guerra Mundial é um dos eventos mais repletos de morte ao longo dos anos, com ao menos 60 milhões de vítimas. Em alguns casos, essas vítimas deixaram as suas últimas palavras registradas em palavras emocionantes. Vítimas da opressão nazista ou integrantes de exércitos que colocavam a honra em jogo no campo de batalha conseguem emocionar a humanidade ainda hoje, graças às palavras que ficaram eternizadas em mensagens enviadas antes de sua morte.

Aqui estão algumas das cartas que oferecem uma pequena compreensão do que se passava na mente de quem estava envolvido diretamente com a possibilidade da morte durante o conflito militar.

1 – Vítima desconhecida do holocausto

Estas cartas foram encontradas na cidade de Tarnopol, lar de mais de 18 mil judeus antes da guerra. De todos esses, apenas 150 sobreviveram e duas cartas restaram:

“Tarnopol, 7 de abril de 1943

Antes de deixar este mundo, Eu gostaria de deixar para trás algumas linhas para vocês, meus amados. Quando esta carta vos alcançar um dia, eu não estarei mais aqui. O nosso fim está próximo. Nós sentimos, nós sabemos. Assim como os inocentes e indefesos judeus já executados, nós estamos condenados à morte. um futuro próximo, será a nossa vez. Não existe fora de escapar desta horrível morte gasosa.

No início (em junho de 141), cerca de 5 mil homens foram mortos, entre eles o meu marido. Depois de seis semanas, uma busca de cinco dias entre cadáveres me fez encontrar seu corpo.

Desde aquele dia, a vida acabou para mim. Nem mesmo uma vez em meus sonhos de garota eu poderia ter imaginado um companheiro melhor e mais fiel. Eu apenas tive direito a dois anos e dois meses de felicidade. E agora? Cansada de tanto procurar entre os corpos, estava “feliz” de tê-lo encontrado. Existem palavras para expressar esse tormento?”

“Tarnopol, 26 de abril de 1943”

Eu ainda estou viva e quero descrever para vocês o que acontece desde o dia 7 até hoje. Agora, eles nos dizem que a vez de todo mundo vai chegar. A Galícia deve estar completamente livre de judous. Depois de tudo, o gueto deve ser destruído em 1º de maio. Durante os últimos dias, milhares foram baleados. O ponto de encontro é o nosso acampamento. Aqui, milhares de vítimas são selecionadas.

Em Petrikow, as coisas são assim: antes da cove, as vítimas são deixadas nuas, forçadas a ficar de joelhos e esperar pelo tiro. As víticas ficam alinhadas e esperam a sua vez. Além disso, eles devem organizar os executados em seus túmulos para que o espaço seja bem aproveitado. Todo o procedimento não dura muito. em meia hora, as roupas dos executados são levadas de volta para o acampamento.

Depois das ações, o conselho judeu recebeu uma conta de 30 mil zloty para pagar pelas balas usadas.

Por que nós não podemos choras, por que não podemos nos defender? Como alguém pode ver tanto sangue inocente ser derramado e não dizer nada, não fazer nada e apenas esperar a morte? Nós somos condenados a morrer tão miseravelmente, sem dó.

Você acha que eu quero acabar assim, morrer assim? Não! Não! Mesmo tendo passado por tudo isso, o desejo pela auto-preservação agora se tornou maior, a vontade de viver é mais forte, quanto mais perto a morte fica. Isso vai além da compreensão.”

2 – Pensamentos de um kamikaze

Em 11 de maio de 1945, Ryoji Uehara morreu depois de uma missão como kamikaze, na Batalha de Okinawa, considerada a mais sangrenta do Pacífico em toda a Segunda Guerra Mundial. Na noite anterior à sua missão suicida, ele escreveu uma carta para demonstrar seus pensamentos sobre a guerra.

No início do texto, ele declara estar “bem ciente da tremenda honra pessoal que é estar envolvido numa missão da Corporação de Ataques Especiais do Exército, considerada a força de ataque mais gloriosa de todo o país.”

Mas além disso, ele mostrou que não estava cego para os motivos que levaram o país à situação em que estava. Apesar de estar disposto a cumprir a missão, não concordava com as razões de seu país. Ele acreditava que um governo autoritário e totalitário eventualmente seria defendido e não havia como prever outro fim para nações como a Itália fascista ou a Alemanha nazista. “O amor dos homens pela liberdade vai viver no futuro e na eternidade”, escreveu.

Sobre a função de kamikaze, ele escreveu que não passava de uma peça no avião que deveria cumprir sua missão. Era a parte que controla a aeronave, mas não carregava nenhuma emoção. “Então, nós que não somos nada mais do que peças de máquina, não temos o direito de dizer nada, mas apenas esperar por uma coisa: que todas as pessoas do Japão se unam para fazer o nosso amado país a maior nação possível.”

3 – Agradecimento de uma criança de 9 anos

Zalman Levinson era uma criança de apenas 9 anos de idade que morava com a mãe Frieda e o pai Zelik, em Riga, na Letônia. A família mantinha uma comunicação constante com a irmã de Frieda, Agnes, que vivia em Israel.

Eventualmente, Frieda enviou um cartão postal a Agenies, em abril de 1941. Depois disso, as cartas de repente pararam. Atualmente, nós já sabemos que o nome das famílias estavam incluídos numa lista de detidos no gueto de Riga, onde cerca de 30 mil judeus foram mantidos presos.

No fim de 1941, alemães declararam que iriam mover os habitantes daquele gueto para uma região ao leste. Entre 30 de novembro de 9 de dezembro daquele ano, ao menos 26 mil desses judeus foram mortos e, provavelmente, foi quando Zalman e sua família também morreram.

A última carta que Frieda recebeu de seu sobrinho foi um desenho colorido de sua casa e uma uma breve carta que ele havia escrito. A carta para sua tia estava assinada com seu nome e um simples: “Obrigado pelo presente.”

4 – Paraquedista canadense

Quando o exército canadense buscou voluntários para o 1º Batalhão de Pára-quedas, Leslie Abram Neufeld se apresentou e passou por um intenso regime de treinamento. Quando a operação que se tornou famosa na história como Dia D foi colocada em funcionamento, ele estava entre os militares em ação, mas antes disso, escreveu uma carta que poderia ser a sua última mensagem à família.

“Queridos pais, irmãos e irmãs,

Meu tempo para escrever é bem limitado. Apesar disso, eu preciso escrever algumas palavras apenas para que vocês saibam como as coisas estão indo. Primeiramente, um milhão de obrigados pelos cigarros e cartas. Eu recebi sua carta, pai, há apenas um dia. Me desculpe mãe, porque não tenho muito tempo para responder suas perguntas agora. Pai, a hora chegou para aquele dia tão esperado, a invasão da França. Sim, eu estou nela. Eu serei o primeiro de 100 canadenses a pousar ali de pára-quedas. Nós sabemos bem o nosso trabalho. Nós fomos treinados para todas as condições e circustâncias. Nós temos uma boa chance.

Eu não estou certo, mas eu espero que Len [o apelido do irmão de Leslie, Leonard, que também estava no exército] chegue alguns dias depois. Ir como um paraquedista foi inteiramente minha escolha. Esse trabalho é perigoso, muito perigoso. Se qualquer coisa acontecer comigo, não fiquem tristes por isso, mas tenham em mente ‘Ele serviu ao seu país com o máximo que pôde’. Com esse espírito, eu irei para a batalha.

Eu tenho muitas expectativas de voltar e, com a força de Deus, estou certo que Ele vai me livrar de todo o perigo. A minha confiança está em Deus.

De seu amado filho,

Leslie”

Leslie morreu instantaneamente depois que o exército alemão reagiu ao ataque de sua companhia com explosivos. Sua carta foi entregue à sua família depois que a notícia de sua morte foi enviada. O irmão dele, Edward, declarou que essa foi a única vez que ele viu seu pai chorar.

Fonte: fatosdesconhecidos

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